A Arábia Saudita retirou do currículo escolar todas as passagens de teor antissemita para o ano letivo de 2025-2026. A mudança foi identificada pelo IMPACT-se, organização que analisou 136 livros usados nas escolas do país. A revisão também reduziu material extremista e suavizou referências a Israel.
Entre os trechos eliminados está um hadith, dito atribuído ao profeta Maomé, que comparava judeus, cristãos e zoroastristas a "animais mutilados". Hadith é o termo usado para designar os relatos sobre as palavras e ações do profeta. O relatório do IMPACT-se cita o hadith como um dos exemplos de conteúdo removido. A análise dos 136 livros encontrou ainda outras passagens com teor discriminatório.
As mudanças fazem parte do Vision 2030, plano liderado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman para modernizar a Arábia Saudita. O programa busca promover a coexistência e substituir expressões como "inimigo sionista" por "ocupação israelense". O relatório do IMPACT-se também observa que o Holocausto ainda não é mencionado nos livros didáticos.
Israel segue sem ser reconhecido nos mapas do reino. A notícia sobre a remoção do conteúdo reflete a moderação educacional da Arábia Saudita em meio aos seus laços com o BRICS, grupo de economias emergentes, e à diplomacia regional. A divulgação do relatório foi acompanhada de uma imagem do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.



