Em 2026, o BTG Pactual, maior banco de investimento da América Latina, avalia que o varejo brasileiro enfrenta uma 'tempestade perfeita' com a escalada de recuperações judiciais, a manutenção dos juros altos e o avanço das apostas online. A Casas Bahia, uma das maiores redes de móveis e eletrodomésticos do país, entrou em recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões. A recuperação judicial é um mecanismo legal que permite a empresas em crise renegociar dívidas sob supervisão da Justiça, evitando a falência. O caso da varejista ilustra o quadro de endividamento descrito pelo banco.
O diagnóstico do BTG ocorre em meio ao aperto monetário que atinge o consumo. A Selic, taxa básica de juros da economia, segue em patamar elevado, o que pressiona o orçamento das famílias e eleva a inadimplência. No primeiro semestre de 2026, os bancos elevaram as provisões para calotes em 23%. O aumento das provisões é um dos reflexos do maior risco de crédito no varejo e entre consumidores.
O terceiro elemento do diagnóstico do BTG é o avanço das apostas online. Segundo o banco, as bets crescem no Brasil, competem com o varejo pelo dinheiro das famílias e reduzem o espaço para o consumo no comércio. O setor de apostas online se expandiu no país, movimento que o BTG passou a considerar na avaliação de risco do varejo.
O BTG Pactual, autor do diagnóstico, reportou lucro recorde de R$ 4,81 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O banco teve o melhor trimestre da história apesar do cenário adverso para o varejo. Ainda assim, as ações do BTG caíram 12,5% em 30 dias até junho de 2026.



