Governo Lula planeja contrato de 15 anos para aquisição de energia a carvão do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, por preço 50,2% superior à média dos leilões com o mesmo combustível.
Governo Lula planeja contrato de 15 anos para aquisição de energia a carvão do grupo J&F, dos irmãos
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Image via The President Archives
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a firmar um contrato de longo prazo para a aquisição de energia gerada a partir de carvão mineral, proveniente do grupo J&F, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. O acordo, com duração prevista de 15 anos, tem chamado atenção pelo valor negociado, que supera em 50,2% a média dos preços praticados em leilões recentes para o mesmo tipo de combustível.
De acordo com fontes familiarizadas com as negociações, o contrato visa garantir o suprimento energético em regiões específicas do país, onde a infraestrutura de carvão ainda é predominante. O grupo J&F, conhecido por sua atuação no setor de agronegócio e energia por meio de subsidiárias como a JBS e a Âmbar Energia, tem expandido suas operações no mercado de geração térmica. Os irmãos Batista, que já estiveram no centro de escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, continuam a influenciar decisões econômicas de grande porte, apesar das controvérsias passadas.
O preço elevado do contrato levanta questionamentos sobre a eficiência e a transparência das negociações. Enquanto o governo argumenta que o acordo é necessário para estabilizar a matriz energética em meio a desafios como secas e variações climáticas, críticos apontam para um possível favorecimento de interesses privados. A média dos leilões recentes para energia a carvão tem sido mais competitiva, com valores que refletem avanços tecnológicos e pressões por fontes mais limpas.
Ambientalmente, a dependência contínua do carvão vai na contramão das metas globais de transição para energias renováveis, como solar e eólica, que o Brasil tem promovido. Especialistas em energia sustentável alertam que contratos como esse podem prolongar a emissão de gases de efeito estufa, complicando os compromissos assumidos pelo país no Acordo de Paris.
Embora o contrato ainda dependa de aprovações regulatórias, ele reflete as tensões entre necessidades imediatas de energia e aspirações de longo prazo para uma economia mais verde. O governo não comentou oficialmente sobre os detalhes do acordo, mas observadores do setor esperam mais transparência para evitar percepções de irregularidades.