As margens de refino do diesel nos Estados Unidos superaram US$ 100 o barril pela primeira vez, atingindo US$ 102 em meio ao agravamento da crise global de suprimentos. A margem de refino é o retorno das refinarias sobre o processamento do petróleo bruto. O indicador acompanha a diferença entre o valor do diesel e o do petróleo no mercado americano.
A alta é puxada por interrupções no fornecimento ligadas a tensões entre EUA e Irã e ao Estreito de Ormuz. Também pesam os ataques ucranianos a refinarias russas e problemas de oferta na Líbia e na Arábia Saudita. Esses fatores reduziram a disponibilidade de diesel no mercado internacional. A combinação de conflitos em regiões produtoras e rotas marítimas estratégicas deixou o comércio de combustíveis mais sujeito a choques.
Os estoques americanos de destilados estão no menor nível para o fim do verão desde 1996. A escassez coincide com o pico da demanda agrícola por diesel, usado em tratores e colheitadeiras. A combinação tem elevado os lucros das refinarias, que aproveitam o momento de demanda aquecida. O diesel também abastece caminhões, trens e equipamentos de construção, o que espalha o efeito pela economia.
O custo adicional deve chegar ao consumidor. O transporte de cargas, os preços de alimentos e as despesas com aquecimento no inverno tendem a subir. O cenário renova o risco de pressão inflacionária sobre a economia americana.




