As reservas internacionais da Rússia congeladas na Europa viraram alvo de nova pressão dos países da União Europeia, que defendem seu uso para financiar a Ucrânia. Cerca de US$ 300 bilhões em reservas do Banco Central da Rússia, autoridade monetária do país, estão bloqueados no Ocidente desde fevereiro de 2022. O apelo ocorre no momento em que a ajuda ocidental enfrenta obstáculos políticos em Washington e em capitais europeias.
Os recursos incluem reservas cambiais, títulos soberanos e depósitos do banco central russo, além de fundos ligados a oligarcas sancionados pelo bloco. O congelamento foi a principal sanção financeira aplicada pelo Ocidente após o início da guerra. A Rússia nega o uso ilegal dos ativos e classifica a medida como roubo.
O novo pedido enfrenta resistência de países como Alemanha e França, que temem repercussões legais para o sistema financeiro europeu. O confisco direto dos recursos poderia abrir precedente contra a segurança jurídica de investidores internacionais. Por isso, a UE tem avançado apenas com a taxação dos lucros gerados pelos ativos congelados, aprovada em 2024.
Na prática, a União Europeia já destinou os rendimentos desses recursos para a compra de munição e para a reconstrução de infraestrutura ucraniana. A nova proposta ampliaria o mecanismo para atingir o montante principal, hoje intocado. Por ser uma decisão de política externa, o tema exige consenso entre os 27 Estados-membros.


