Ministro das Relações Exteriores do Irã afirma que Trump deve se desculpar pela guerra.
Ministro iraniano ataca Trump e exige desculpas públicas pela "guerra" que semeou caos no Oriente Médio em plena escalada com Israel.
um café
Nos pague um café ☕
Apoie nosso jornalismo.
Image via The President Archives
A-A+
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, fez uma declaração impactante nesta semana ao cobrar publicamente desculpas do ex-presidente americano Donald Trump pela suposta "guerra" desencadeada no Oriente Médio. A fala surge em um momento de alta tensão entre Irã e Israel, marcado por ataques aéreos israelenses contra alvos iranianos e retaliações com mísseis de Teerã, que já causaram dezenas de mortes de ambos os lados.
Araghchi, que assumiu o posto em agosto de 2024 após anos como negociador nuclear experiente, apontou diretamente para as políticas de Trump como raiz do caos regional. Ele citou o assassinato do general Qasem Soleimani em janeiro de 2020, ordenado por Trump em um ataque de drone no aeroporto de Bagdá, no Iraque. Soleimani, chefe da Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica, era visto como um herói nacional no Irã e uma ameaça terrorista pelos Estados Unidos. O episódio levou a uma retaliação iraniana com mísseis em bases americanas no Iraque, ferindo dezenas de soldados dos EUA e elevando o risco de um conflito aberto.
Recentemente, Trump tem usado suas plataformas para comentar o conflito atual, como postagens no Truth Social e entrevistas, onde culpa a administração Biden por suposta fraqueza que permitiu ao Irã avançar em seu programa nuclear e apoiar aliados como o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen. Candidato republicano à Casa Branca em 2024, Trump argumenta que, durante seu mandato de 2017 a 2021, manteve o Irã "contido", impedindo ataques diretos contra Israel, como o grande lançamento de drones e mísseis iranianos em abril de 2024, após um ataque israelense ao consulado iraniano em Damasco.
A cobrança de Araghchi ecoa a narrativa oficial de Teerã, que acusa Trump de iniciar uma "guerra econômica e militar" por meio da campanha de "pressão máxima", com sanções severas que devastaram a economia iraniana. Em 2018, Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear JCPOA, assinado em 2015 entre Irã e potências mundiais, o que paralisou as negociações e levou Teerã a elevar o enriquecimento de urânio para até 60% de pureza, próximo dos 90% necessários para material bélico, conforme relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Analistas veem a declaração como uma estratégia diplomática do Irã para desviar o foco de desafios internos, como inflação galopante e protestos econômicos, enquanto reforça o discurso antiamericano junto à população. Aliados de Trump nos Estados Unidos, por sua vez, defendem que suas ações enfraqueceram o regime iraniano, limitando seu financiamento a grupos militantes. O embate verbal aprofunda o racha entre Washington e Teerã, com ramificações para a estabilidade regional e as dinâmicas políticas americanas à frente.