Relatos de uma tentativa de golpe de Estado no Níger circulam neste sábado. Segundo informações preliminares, um grupo de militares tenta tomar o controle do governo em Niamey, a capital. Ainda não há confirmação oficial nem detalhes sobre a situação do presidente do país. A população local relatou barulho de tiros nas proximidades do palácio presidencial. Agências locais mencionam movimentação incomum de veículos blindados nas ruas.
O Níger é uma ex-colônia francesa no oeste da África, uma das nações mais pobres do mundo. Desde a independência, em 1960, o país alternou governos civis e militares, com vários golpes de Estado registrados em sua história. A instabilidade política crônica é agravada pela atuação de grupos extremistas ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico no Sahel. O país tem cerca de 25 milhões de habitantes e é um dos maiores produtores de urânio do mundo. A mineração do mineral é explorada por empresas de origem francesa, um dos pilares da economia local.
A França, antiga potência colonial, mantém tropas no Níger para operações contra extremistas no Sahel. Os Estados Unidos também possuem uma base de drones no país. A comunidade internacional, incluindo a União Africana, organização que reúne os países do continente, costuma reagir com firmeza a mudanças de governo pela força. A base francesa em Niamey abriga cerca de 1.500 soldados, enquanto os americanos mantêm aproximadamente 800 militares no território. No vizinho Mali, um golpe recente levou à expulsão das forças francesas e à aproximação com outras potências.
O Níger enfrentou uma tentativa de golpe em 2021, quando soldados de uma unidade militar cercaram o palácio presidencial em Niamey, mas foram contidos pela guarda oficial. Em 1999 e 2010, o país teve golpes de Estado consumados. A CEDEAO, bloco da África Ocidental, tem histórico de condenar golpes e suspender a participação dos países em suas instâncias. Burkina Faso, outra ex-colônia francesa da região, também viveu golpes recentes e enfrenta crise humanitária. A situação deste sábado ocorre em um cenário de retrocesso democrático no Sahel.

