O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ampliou o programa de recompra de títulos da dívida americana. O valor mínimo por operação subiu de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões, para títulos de 10 a 30 anos. As operações estão previstas para ocorrer entre 9 de setembro e 4 de novembro. O objetivo é dar liquidez ao mercado, que enfrenta as maiores taxas em anos.
O rendimento do Tesouro americano de 30 anos chegou ao maior nível desde 2007, depois de uma onda de vendas de títulos públicos. A alta dos juros longos reflete o receio com o crescimento da dívida dos Estados Unidos, que se aproxima de US$ 40 trilhões, e com tensões geopolíticas. A combinação desses fatores reduziu a liquidez no mercado secundário. As recompras elevadas pelo Tesouro são uma resposta a esse cenário, ao injetar demanda por papéis de longo prazo.
Na reação imediata do mercado, os rendimentos dos títulos caíram, o dólar perdeu força e o ouro e as criptomoedas avançaram. O programa, porém, não reduz o estoque total da dívida americana, apenas remaneja os papéis existentes. Ao recomprar títulos longos, o Tesouro reduz a oferta desses papéis, o que eleva os preços e derruba os rendimentos na ponta longa da curva. Essa operação é diferente de um resgate da dívida, pois os recursos voltam ao mercado na forma de novas emissões.
As recompras de títulos são operações em que o Tesouro adquire, no mercado secundário, papéis que já haviam sido emitidos, em vez de lançar novos títulos. O mecanismo é usado para melhorar a formação de preços em segmentos específicos da curva de juros. Bessent afirmou que o valor das operações pode superar US$ 4 bilhões, dependendo das condições de demanda.



