Os preços de energia acumulam alta expressiva desde o início de 2026, segundo o Spectator Index. O gás natural europeu subiu 136% até agosto, o maior ganho entre as principais commodities listadas. O óleo de aquecimento avançou 104%, e a gasolina subiu 102% no mesmo período. O Brent e o petróleo bruto dos EUA registraram alta de 45% cada. O carvão, por sua vez, subiu 29%.
A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, intensificada no início de 2026, é o principal fator por trás das altas. O conflito afetou severamente os embarques no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais movimentadas do comércio de petróleo e gás do mundo. A passagem, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, teve o tráfego reduzido, afetando a oferta de gás natural liquefeito (GNL) e de produtos refinados do Oriente Médio. Com menos cargas disponíveis, importadores da Europa e da Ásia passaram a disputar os embarques restantes.
Na Europa, a situação é agravada pelos estoques de gás em níveis historicamente baixos. No fim de agosto, os reservatórios estavam com cerca de 63% da capacidade, próximo das mínimas de duas décadas para a temporada. A demanda por eletricidade no verão, impulsionada pelo calor, mantém elevada a procura por gás. Ao mesmo tempo, a Ásia também busca cargas de GNL, o que reduz a quantidade disponível para o continente europeu.



