O governo do Irã afirmou neste domingo, 10 de maio, que os Estados Unidos precisam mudar de comportamento para que haja paz. "Para obter paz, os EUA devem construir confiança, falar com respeito e cumprir suas promessas", declarou Teerã. A declaração não trouxe prazos para uma possível retomada de negociações. Também não foram citadas medidas práticas que Washington precisaria adotar.
A relação entre os dois países segue rompida desde 1979, quando a embaixada americana em Teerã foi tomada por estudantes islâmicos. O episódio levou ao rompimento das relações diplomáticas e abriu décadas de desconfiança mútua. Nos anos seguintes, os Estados Unidos impuseram sanções que atingem a economia iraniana até hoje.
Em 2015, o governo americano e o Irã assinaram o acordo nuclear, que limitava o enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Três anos depois, em 8 de maio de 2018, o então presidente Donald Trump retirou os EUA do pacto e voltou a aplicar sanções. Dois dias antes da declaração deste domingo, completaram-se oito anos da decisão de Trump. O Irã respondeu acelerando o programa nuclear e reduzindo o acesso de inspetores internacionais a suas instalações.
O Irã afirma que o programa nuclear é pacífico e que o enriquecimento de urânio é um direito previsto no tratado de não proliferação. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à ONU, tem relatado falta de acesso a parte das instalações iranianas. As sanções americanas seguem em vigor e o diálogo entre os dois países permanece limitado a mensagens públicas como a deste domingo.
Atualização, 07:25
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a pressão dos Estados Unidos não funciona e pediu que Washington honre os compromissos assumidos em um memorando de junho de 2026. “A pressão não funciona”, disse o chanceler. A declaração foi feita após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores do Catar, em uma nova tentativa de retomar negociações que estão paralisadas.
O impasse atual tem origem em fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã. Em resposta, o governo iraniano fechou o Estreito de Ormuz e atacou aliados regionais. Um cessar-fogo foi firmado em abril, mas tensões esporádicas seguem ocorrendo. O estreito permaneceu fechado mesmo após o acordo que interrompeu os combates.
O encontro com o chanceler do Catar teve como objetivo destravar a diplomacia estagnada. Araghchi reafirmou que o estreito só será reaberto depois que as sanções americanas forem suspensas e os direitos do Irã forem reconhecidos. O memorando de junho de 2026, citado pelo ministro, é a base do pedido iraniano para que Washington cumpra o que foi acordado.
Atualização, 08:40
Em nota divulgada em 28 de agosto de 2026, o Ministério das Relações Exteriores do Irã, órgão responsável pela diplomacia do país, afirmou que os Estados Unidos praticam 'terrorismo de Estado' por meio de sanções econômicas. O texto acrescenta que os países que aplicam as sanções americanas são cúmplices dessa política. A declaração foi uma reação ao novo pacote de restrições anunciado pelo governo americano contra Teerã. O comunicado, porém, não lista quais nações seriam consideradas cúmplices.
As sanções, anunciadas pelo Tesouro dos EUA, departamento do governo americano que cuida das finanças, miram cerca de 60 entidades, pessoas e navios iranianos. Os alvos estão concentrados nos setores de petróleo, navegação, tecnologia e finanças. A lista inclui companhias e embarcações iranianas.
Na nota, o Irã classificou as sanções como ilegais, repreensíveis e violação do direito internacional. O governo iraniano prometeu resistir à pressão econômica e militar dos Estados Unidos e de Israel. O texto não detalha, porém, quais medidas o Irã pretende adotar em resposta.
O comunicado também advertiu que países que ajudarem o Irã a evadir as sanções podem perder acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos. O aviso vale para qualquer nação que tentar contornar as restrições no comércio com o país persa. O acesso ao sistema financeiro americano é considerado essencial para transações internacionais em dólar.



