O preço global do arroz acumula alta de 50% desde o início de 2026. Nas últimas semanas, os preços no atacado na Tailândia e no Vietnã tiveram rebotes de até 7%. O aumento chama atenção para a pressão sobre o custo da alimentação no mundo.
O movimento é puxado por três fatores. Neste ano, o El Niño reduziu a produção de arroz na Ásia, enquanto a Índia, maior exportadora global, impôs restrições às vendas externas de arroz não basmati para proteger o abastecimento interno depois de danos nas monções. Ao mesmo tempo, os custos de fertilizantes e energia seguem elevados por causa das tensões no Oriente Médio. O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã destravou a demanda por exportação.
Menor oferta e demanda firme derrubaram os estoques globais. Os preços de referência na Tailândia e no Vietnã seguem em tendência de alta. Governos asiáticos tentam formar estoques de segurança, enquanto importadores antecipam compras com receio de novas restrições. Países asiáticos e africanos que dependem de importação são os mais afetados.
Para o consumidor brasileiro, o efeito chega pelas cotações internas. O Brasil é grande produtor de arroz, mas o preço internacional influencia o mercado local, especialmente em um ano de clima adverso. A chegada do El Niño ao Hemisfério Sul, com chuvas abaixo da média no Sul do país, é um ponto de atenção para a safra nacional.

